Este é o caminho sem caminho. Para onde a jornada leva é a verdade mais profunda dentro de você. Na verdade, é apenas voltar para onde você estava no começo, antes de se perder.
A jornada espiritual é individual, profundamente pessoal. Não pode ser organizada nem regulamentada. Não é verdade que todos devam seguir um único caminho. Ouça a sua própria verdade.
Quanto antes desenvolvermos compaixão nesta jornada, melhor. A compaixão nos faz perceber que cada indivíduo faz o que precisa fazer, e que não há motivo para julgar outra pessoa — nem a si mesmo. Você apenas faz o que pode para avançar em sua própria iluminação.
No começo da jornada, você se pergunta quanto tempo ela vai levar e se você vai conseguir nesta vida. Mais tarde, você verá que o lugar para onde você vai é AQUI e você chega AGORA... então você para de perguntar.
Dentro da jornada espiritual, você entende que o sofrimento se torna algo que lhe foi dado para mostrar onde sua mente ainda está presa. É um veículo para ajudá-lo a agir. Por isso se chama graça.
Quando a fé é forte o bastante, basta apenas ser. É uma jornada rumo à simplicidade, rumo ao silêncio, rumo a uma espécie de alegria que não está no tempo. É uma jornada que nos levou da identificação primária com nosso corpo e nossa psique, até a identificação com Deus e, por fim, além da identificação.
O humor cósmico, especialmente sobre a sua própria situação difícil, é uma parte importante da sua jornada.
Depois que se chega ao cume, depois de passar pela transformação total do ser... ainda há um passo a mais para completar essa jornada: o retorno ao vale abaixo, ao mundo cotidiano. Aquele que retorna não é quem começou a subida em primeiro lugar. O ser que volta é a própria quietude; é compaixão e sabedoria; é a verdade das eras. Seja qual for a posição humilde ou elevada que esse ser ocupe na comunidade, ele/ela se torna uma luz para os outros no caminho — uma declaração da liberdade que vem de ter tocado o topo da montanha.
Se pudermos abrir mão da apego aos nossos papéis de ajudadores, talvez nossos clientes possam abrir mão do apego aos seus papéis de pacientes, e possamos nos encontrar como almas companheiras nessa jornada incrível. Podemos cumprir os deveres dos nossos papéis sem ficar presos à identificação excessiva com eles.
Nossa jornada é sobre nos envolvermos mais profundamente com a vida, e ainda assim nos apegarmos menos a ela.
Acho que a pergunta é: como vivemos com a mudança? Mudança em nossos amigos, mudança em nossos amores? Mudança em mim e mudança no meu corpo, por causa do derrame. As coisas mudaram este plano de consciência. Tentamos manter as coisas iguais. Isso causa sofrimento. Esse sofrimento é mais um passo na sua vida espiritual, na sua jornada espiritual.
Este é o caminho sem caminho — voltando para onde você estava inicialmente antes de se perder. A verdade mais profunda em você é onde a jornada leva: desprendendo-se, como tirar camadas de uma cebola, até chegar à sua essência. A chave da jornada espiritual não é adquirir algo fora de si. É, antes, desprender os véus para voltar à verdade mais profunda do seu ser.