Para mim, criatividade é Deus. Mas será melhor se você permitir que eu mude a palavra “Deus” para “bondade divina”, porque não quero ser mal compreendido. Não há uma pessoa como Deus, mas há uma energia imensa — explodindo, sem fim, expandindo-se. Essa energia que se expande, que não tem fim, que explode — essa criatividade — é divina.
A pessoa verdadeiramente criativa não está interessada em dominar ninguém. Ela se alegra de tal modo com a vida — quer criar, quer participar com Deus. Criatividade é oração. E sempre que você cria algo, nesses momentos você está com Deus; você caminha com Deus; você vive em Deus. Quanto mais criativo você é, mais divino você se torna. Para mim, criatividade é religião. A arte é apenas a entrada do templo da religião.
Qualquer expectativa — até mesmo a expectativa de paz — traz inquietação. A tensão precisa ir embora. Assim que isso acontece, uma paz divina se estabelece.
A própria criatividade é divina. A própria criatividade é divindade.
O tolo não sabe nada de Deus; ele nunca encontra algo divino. Ele permanece parte da coletividade estúpida. Lembre-se: a sociedade, a coletividade, não tem alma; a alma pertence ao indivíduo. Assim, aqueles que pertencem à coletividade estão destruindo todas as possibilidades de serem almas.
Esta tem de ser a primeira lição do sannyas: aceite a si mesmo, ame a si mesmo, abandone toda culpa, não se divida. Não há nada mais alto, nada mais baixo; tudo em você é divino. O mais baixo é tão divino quanto o mais alto.
Não importa se você pinta, esculpe ou faz sapatos; se é jardineiro, agricultor, pescador ou carpinteiro—não importa. O que importa é: você coloca a própria alma naquilo que cria? Então seus frutos criativos terão algo da qualidade do divino.
À medida que a testemunha se aprofunda, você começa a ficar embriagado pelo divino. Isso é o que se chama êxtase.
Basta lembrar uma qualidade do Buda. Ele consiste apenas em uma qualidade: testemunhar. Essa pequena palavra — testemunhar — contém toda a espiritualidade. Testemunhe que você não é o corpo. Testemunhe que você não é a mente. Testemunhe que você é apenas uma testemunha. À medida que o testemunhar se aprofunda, você começa a ficar embriagado com o divino. É isso que se chama êxtase.