Basicamente, a atitude budista é que você não deve aceitar certas coisas apenas por fé cega. E para isso você precisa de uma postura cética. O próprio Buda deixou isso claro para seus seguidores. Ele disse que você não deve aceitar essas coisas que eu ensinei por respeito a mim, mas sim por investigação feita por você mesmo.
Para os tibetanos, a força real da nossa luta é a verdade — não o tamanho, o dinheiro ou a competência. A China é muito maior, mais rica e mais poderosa militarmente, e tem muito mais habilidade na diplomacia. Ela nos supera em todas as áreas. Mas não tem justiça. Depositamos toda a nossa fé na verdade e na justiça. Não temos mais nada, em princípio e na prática.
Desenvolver amor e compaixão e reduzir a raiva e a malícia é uma atividade universal que não exige fé em nenhuma religião em particular.
Estudo e prática são ambos muito importantes, mas devem caminhar juntos. Fé sem conhecimento não é suficiente. A fé precisa ser sustentada pela razão. No entanto, um entendimento intelectual que não é aplicado na prática também tem pouca utilidade. Tudo o que aprendemos com o estudo precisamos aplicar com sinceridade na vida diária.
Buda falava sobre a realidade. A realidade pode ser uma, em sua essência mais profunda, mas Buda também afirmou que todas as proposições sobre a realidade são apenas contingentes. A realidade é destituída de qualquer identidade intrínseca que possa ser capturada por qualquer proposição única — é isso que Buda quis dizer com “vazio”. Por isso, o budismo desencoraja fortemente a fé cega e o fanatismo.