A tensão no mundo é a tensão entre o ego e o feminino, não entre o masculino e o feminino.
Se o ego não for dissolvido, de modo regular e repetido, no ilimitado hiperespaço do Outro Transcendente, haverá sempre um lento afastamento do senso de si como parte do todo maior da Natureza. A consequência final desse afastamento é o tédio fatal que hoje permeia a Civilização Ocidental.
O ego é uma estrutura erguida por um indivíduo neurótico, membro de uma cultura neurótica, contra os fatos da questão. E cultura, que vestimos como um sobretudo, é o consenso coletivo sobre que tipos de comportamentos neuróticos são aceitáveis.
A vida vivida na ausência da experiência psicodélica sobre a qual se baseia o xamanismo primordial é uma vida banalizada, uma vida negada, uma vida escravizada ao ego.
Caos é o que perdemos o contato. Por isso lhe deram um nome ruim. Ele é temido pelo arquétipo dominante do nosso mundo, que é o Ego, que se fecha porque sua existência é definida em termos de controle.