O amor não é seletivo; o desejo é seletivo. No amor não há estranhos. Quando o centro do egoísmo já não existe, cessam todos os desejos por prazer e o medo da dor; já não se tem interesse em ser feliz. Além da felicidade, há uma intensidade pura, energia inesgotável, o êxtase de dar a partir de uma fonte perene.
Eu já estou morto. A morte física não fará diferença no meu caso. Eu sou um ser atemporal. Estou livre de desejo e de medo, porque não me lembro do passado nem imagino o futuro. Onde não há nomes e formas, como haveria desejo e medo? Com a ausência de desejo vem a atemporalidade. Eu estou seguro, porque o que não é não pode tocar o que é. Você se sente inseguro porque imagina perigo. Claro, o seu corpo, como tal, é complexo e vulnerável e precisa de proteção. Mas não você. Quando você perceber o seu próprio ser inabalável, você estará em paz.
Aprenda a olhar sem imaginação, a escutar sem distorção: é só isso. Pare de atribuir nomes e formas ao essencialmente sem nome e sem forma; perceba que cada modo de percepção é subjetivo: aquilo que é visto ou ouvido, tocado ou cheirado, sentido ou pensado, esperado ou imaginado está na mente e não na realidade. Então você experimentará paz e liberdade do medo.
Até que possamos olhar o medo e aceitá-lo como a sombra da existência pessoal — como pessoas que, inevitavelmente, teremos de temer.
A raiz do medo é a sensação de não ser aquilo que você é.
Quando você percebe que o mundo é a sua própria projeção, você se liberta dele. Você não precisa se libertar de um mundo que não existe, exceto na sua própria imaginação! Seja como for a imagem — bela ou feia — você a está pintando e não está preso a ela. Perceba que não há ninguém forçando isso sobre você; isso se deve ao hábito de tomar o imaginário como real. Veja o imaginário como imaginário e fique livre do medo.
A minha experiência real não é diferente. O que muda é a minha avaliação e a minha atitude. Eu vejo o mesmo mundo que você vê, mas não do mesmo jeito. Não há nada de misterioso nisso. Todo mundo vê o mundo através da ideia que tem de si mesmo. Como você se imagina, assim você imagina o mundo. Se você se imagina separado do mundo, o mundo parecerá separado de você, e você experimentará desejo e medo. Eu não vejo o mundo como separado de mim; por isso, não há nada para eu desejar ou temer.
O mundo não cede ao mudar. Por sua própria natureza, ele é doloroso e passageiro. Veja-o como ele é e desapegue-se de todo desejo e medo. Quando o mundo não o sustém nem o prende, ele se torna um lar de alegria e beleza. Você só pode ser feliz no mundo quando estiver livre dele.
Eu sou um ser sem tempo. Eu estou livre de desejo ou medo, porque não lembro do passado nem imagino o futuro.
O caminho para a verdade passa pela destruição do falso. Para destruir o falso, você deve questionar suas crenças mais arraigadas. Dentre elas, a ideia de que você é o corpo é a pior. Com o corpo vem o mundo; com o mundo — Deus, que se supõe ter criado o mundo — e então começam os medos, as religiões, as orações, os sacrifícios, todo tipo de sistemas: tudo para proteger e sustentar a criança-homem, assustada até o limite por monstros que ela mesma criou. Perceba que aquilo que você é não pode nascer nem morrer — e, com o medo desaparecendo, todo sofrimento termina.
Se você imagina a si mesmo separado do mundo, o mundo parecerá separado de você, e você experimentará desejo e medo. Eu não vejo o mundo separado de mim; por isso, não há nada para eu desejar ou temer.
Para mim, o momento da morte será um momento de júbilo, não de medo. Eu chorei quando nasci e morrerei rindo.
Brincar com abordagens diversas pode ser devido à resistência de ir para dentro, ao medo de ter de abandonar a ilusão de ser algo ou alguém em particular. De todas as afeições, o amor por si mesmo vem primeiro. Luz e amor são impessoais. Quando você não se considera isto ou aquilo, todo conflito cessa. Qualquer tentativa de fazer algo pelos seus problemas está fadada ao fracasso, pois aquilo que é causado pelo desejo só pode ser desfeito pela liberdade do desejo. Você não pode livrar-se dos problemas sem abandonar as ilusões.