Seu corpo não elimina venenos por saber seus nomes. Tentar controlar o medo, a depressão ou o tédio chamando-os por nomes é recorrer à superstição de confiar em maldições e invocações. É tão fácil ver por que isso não funciona. Obviamente, tentamos conhecer, nomear e definir o medo para torná-lo “objetivo”.
Ao substituir o medo do desconhecido por curiosidade, abrimos a nós mesmos um fluxo infinito de possibilidades. Podemos deixar o medo governar nossas vidas, ou podemos nos tornar como crianças com curiosidade, empurrando nossos limites, saindo das nossas zonas de conforto e aceitando o que a vida nos coloca diante.
Nenhum trabalho nem amor florescerá por culpa, medo ou vazio do coração; assim como não se podem fazer planos válidos para o futuro por aqueles que não têm capacidade de viver agora.
A ansiedade é o medo de que um dos pares de opostos possa cancelar o outro. Para sempre.
Fugir do medo é medo; lutar contra a dor é dor; tentar ser corajoso é estar assustado.
Eu conheci um físico na Universidade de Chicago que era meio doido, como alguns cientistas, e a ideia da insolididade, da instabilidade do mundo físico o impressionou tanto que ele costumava andar por aí com enormes chinelos acolchoados, com medo de atravessar o chão.
Permanecer estável é abster-se de tentar separar-se da dor, porque você sabe que não pode. Fugir do medo é medo; lutar contra a dor é dor; tentar ser corajoso é estar com medo. Se a mente está em dor, a mente é dor. O pensador não tem outra forma além do seu pensamento. Não há escapatória.
A alucinação da separação impede que se veja que acariciar o ego é acariciar a miséria. Não percebemos que o nosso chamado amor e preocupação pelo indivíduo é apenas a outra face do nosso medo da morte ou da rejeição. Ao supervalorizar a identidade separada, o ego pessoal vai serrando o galho em que está sentado e, então, fica cada vez mais ansioso com a queda que se aproxima!
Se você tem medo da morte, tenha medo. O ponto é estar com ela, deixar que ela tome conta — medo, fantasmas, dores, transitoriedade, dissolução e tudo. E então vem a surpresa até então inimaginável: você não morre, porque você nunca nasceu. Você apenas esqueceu quem você é.