Quando você olha para fora, com os seus olhos, a natureza acontecendo lá fora… você está olhando para você.
Como é possível que um ser com joias tão sensíveis como os olhos, instrumentos musicais tão encantados como os ouvidos e tão fabulosas arabescos de nervos como o cérebro possa experimentar a si mesmo como algo menor do que um deus?
Através de nossos olhos, o universo se percebe. Através de nossos ouvidos, o universo escuta suas harmonias. Somos as testemunhas pelas quais o universo se torna consciente de sua glória, de sua magnificência.
O Zen é uma libertação do tempo. Pois, se abrirmos os olhos e enxergarmos com clareza, fica óbvio que não existe outro tempo além deste instante, e que passado e futuro são abstrações sem realidade concreta.
Aceitamos uma definição de nós mesmos que confinou o eu à fonte e às limitações da atenção consciente. Essa definição é miseravelmente insuficiente, pois na verdade sabemos como crescer cérebros e olhos, ouvidos e dedos, corações e ossos — do mesmo modo que sabemos caminhar e respirar, falar e pensar — apenas não conseguimos colocar isso em palavras. As palavras são lentas e grosseiras demais para descrever coisas assim, e a atenção consciente é estreita demais para acompanhar todos os seus detalhes.
Nós somos os olhos do cosmos. Então, de certo modo, quando você olha profundamente nos olhos de alguém, você está olhando profundamente para si mesmo — e a outra pessoa está olhando profundamente para o mesmo eu.