Quando você entende que as necessidades falsas levam tempo, e que o que precisa de tempo é falso, você se aproxima mais da Realidade — que é atemporal, sempre no AGORA.
Certamente, a memória de um acontecimento não pode ser confundida com o próprio acontecimento. Nem a antecipação. Há algo excepcional, único, no acontecimento presente que o anterior — ou o que virá — não tem. Há nele vivacidade, uma realidade; ele se destaca como se estivesse iluminado. Há a “marca da realidade” no que é real, algo que o passado e o futuro não possuem.
A janela é a ausência da parede, e ela dá ar e luz porque está vazia. Esteja vazio de todo conteúdo mental, de toda imaginação e esforço; e a própria ausência de obstáculos fará a realidade irromper.
Conhecer o Si como a única Realidade e tudo o mais como passageiro e transitório é liberdade, paz e alegria. É tudo muito simples. Em vez de ver as coisas como imaginadas, aprenda a vê-las como elas são. Quando você consegue ver tudo como é, você também verá a si mesmo como você é. É como limpar um espelho. O mesmo espelho que mostra o mundo como ele é também mostrará o seu próprio rosto. O pensamento “eu sou” é o pano de polimento. Use-o.
Ver a Realidade é tão simples quanto ver o próprio rosto num espelho. Só que o espelho precisa ser claro e verdadeiro. É necessária uma mente quieta, não distorcida por desejos e medos, livre de ideias e opiniões, clara em todos os níveis, para refletir a Realidade. Seja claro e sereno; atento e desapegado — o resto acontecerá por si.
Aprenda a olhar sem imaginação, a escutar sem distorção: é só isso. Pare de atribuir nomes e formas ao essencialmente sem nome e sem forma; perceba que cada modo de percepção é subjetivo: aquilo que é visto ou ouvido, tocado ou cheirado, sentido ou pensado, esperado ou imaginado está na mente e não na realidade. Então você experimentará paz e liberdade do medo.
Se você busca a realidade, deve libertar-se de todos os contextos, de todas as culturas, de todos os padrões de pensar e sentir. Até a ideia de ser homem ou mulher—ou mesmo humano—deve ser descartada. O oceano da vida contém tudo, não apenas humanos. Então, antes de tudo, abandone toda identificação: pare de pensar em si como “tal pessoa” ou “tal outra”, “isto” ou “aquilo”. Abandone toda preocupação consigo mesmo; não se preocupe com seu bem-estar, material ou espiritual; abandone todo desejo, grosseiro ou sutil; pare de pensar em alcançar qualquer tipo de resultado. Você está completo aqui e agora; não precisa absolutamente de nada.
A consciência não morre nem renasce. Ela é a própria realidade imutável.
Para encontrar a realidade, você precisa ser real na menor ação diária; não pode haver engano na busca da verdade.
Por nem um momento pense que você é o corpo. Não dê a si mesmo nome, nem forma. Na escuridão e no silêncio, a realidade é encontrada.
Para compreender o sofrimento, você precisa ir além da dor e do prazer. Seus próprios desejos e medos impedem você de compreender e, assim, ajudar os outros. Na realidade, não há outros; e ao ajudar a si mesmo, você ajuda todo mundo. Se você leva a sério o sofrimento da humanidade, deve aperfeiçoar o único meio de ajuda que você tem: você mesmo.
Com autoconsciência, você se torna mais inteligente. Na consciência, você aprende; na autoconsciência, você aprende sobre si mesmo. É claro que você só pode aprender o que você não é. Para saber o que você é, é preciso ir além da mente. A consciência é o ponto em que a mente se estende além de si mesma em direção à realidade. Na consciência, você não busca o que agrada, mas o que é verdadeiro.
Estar vivo como um ser não é o estado último; há algo [a Realidade] além disso, muito mais maravilhoso, que não é nem ser nem não-ser, nem viver nem não-viver. É um estado de Consciência Pura, além das limitações de espaço e tempo.
A vida só é digna do nome quando reflete a Realidade em ação. Nenhuma universidade vai te ensinar a viver de modo que, quando chegar a hora de morrer, você possa dizer: Eu vivi bem; não preciso viver de novo. A maioria de nós morre desejando poder viver de novo. Cometemos tantos erros e deixamos tantas coisas por fazer. Muitas pessoas vegetam, mas não vivem. Elas apenas acumulam experiência e enriquecem a memória. Mas experiência é negação da Realidade, que não é sensorial nem conceitual, nem do corpo nem da mente — embora inclua e transcenda ambos.
No seu mundo, tudo deve ter começo e fim. Se não tem, você chama de eterno. Na minha visão, não existe começo nem fim — tudo isso está ligado ao tempo. O ser atemporal está inteiramente no agora. Ser e não-ser alternam, e sua realidade é momentânea. A Realidade imutável está além do espaço e do tempo.
Deixe a grandeza para os outros. Torne-se tão pequeno que ninguém possa te ver. Essa convicção nasce do crescimento da devoção à realidade suprema.
O que quer que venha e vá não é realidade. Veja o acontecimento apenas como acontecimento. Então você se torna vulnerável à realidade, já não blindado contra ela, como estava quando dava realidade aos acontecimentos e às experiências.
Amplie e alargue seus desejos até que nada além da realidade possa satisfazê-los. Não é o desejo que está errado, mas sua estreiteza e pequenez. Desejo é devoção. De todo modo, seja devoto do Real, do infinito, do eterno coração do Ser. Transforme o desejo em amor. Tudo o que você quer é ser feliz. Todos os seus desejos, quaisquer que sejam, são expressões do seu anseio pela felicidade.
Na realidade, tempo e espaço existem em você. Você não existe neles.
Sua fraqueza vem da sua convicção de que você nasceu no mundo. Na realidade, o mundo é recriado em você e por você o tempo todo. Veja tudo como emanando da luz que é a fonte do seu próprio ser.
Eu lhe pergunto qual é o sabor da sua boca. Tudo o que você pode dizer é: não é doce nem amargo, nem azedo nem adstringente; é o que permanece quando todos esses sabores não estão. Da mesma forma, quando todas as distinções e reações cessam, o que permanece é a realidade — simples e sólida.
Recuse pensar em “isto” ou “aquilo”. Toda dor precisa ser investigada. A mente não é outra coisa senão o próprio Si. A suposição obscurece a realidade sem destruí-la. Toda separação, todo tipo de afastamento e alienação é falso. A sua condição de pessoa nasce da ilusão de espaço e tempo. A mente cria tempo e espaço e toma suas próprias criações por realidade.
Você quer conhecer a si mesmo. Para isso, mantenha firmemente em foco na consciência, a única pista que você tem: a sua certeza de ser. Esteja com ela, brinque com ela, medite sobre ela, mergulhe profundamente nela, até que a casca da ignorância se abra e você emerja no reino da realidade.
Você se toma por limitado, mas você não é. Descubra isso. Permaneça em silêncio e atento. Seja sincero a respeito disso. Apenas esteja consciente de que você está aqui e agora. A realidade o encontrará.
Quando você se acredita uma pessoa, você vê pessoas por toda parte. Na realidade, não há pessoas: há apenas fios de memórias e hábitos. No instante da realização, a pessoa deixa de existir.