Pensar em termos de pessimismo ou otimismo simplifica demais a verdade. O problema é ver a realidade como ela é.
Precisamos continuar aprendendo. Precisamos estar abertos. E precisamos estar prontos para liberar nosso conhecimento, a fim de alcançar uma compreensão mais elevada da realidade.
A realidade é que estamos seguros e temos a capacidade de desfrutar as maravilhas da vida no momento presente. Quando reconhecemos que nosso sofrimento se baseia em imagens, e não na realidade atual, então viver feliz no momento presente se torna possível imediatamente.
Na atenção plena, não se é apenas repousante e feliz, mas também alerta e desperto. Meditação não é fuga; é um encontro sereno com a realidade.
Quando nossas crenças se baseiam na nossa experiência direta da realidade, e não em noções oferecidas por outros, ninguém pode arrancar essas crenças de nós.
Qualquer pessoa pode praticar alguma não-violência, até mesmo soldados. Alguns generais, por exemplo, conduzem suas operações de modo a evitar matar pessoas inocentes; isso é uma forma de não-violência. Para ajudar os soldados a seguirem na direção da não-violência, precisamos estar em contato com eles. Se dividirmos a realidade em dois campos — os violentos e os não violentos — e ficarmos num campo atacando o outro, o mundo jamais terá paz. Sempre culparemos e condenaremos aqueles que consideramos responsáveis pelas guerras e pela injustiça social, sem reconhecer o grau de violência que existe em nós. Precisamos trabalhar em nós mesmos e também com aqueles que condenamos, se quisermos ter um impacto real.
Não evite o contato com o sofrimento nem feche os olhos diante do sofrimento. Não perca a consciência da existência do sofrimento na vida do mundo. Encontre maneiras de estar com aqueles que sofrem, de todos os modos — inclusive contato pessoal e visitas, imagens, sons. Por esses meios, desperte a si mesmo e aos outros para a realidade do sofrimento no mundo. Se tocarmos o sofrimento do mundo e formos movidos por ele, poderemos avançar para ajudar as pessoas que sofrem.
[O Buda] percebeu que corpo e mente formavam uma única realidade, que não podia ser separada. A paz e o conforto do corpo estavam diretamente ligados à paz e ao conforto da mente. Maltratar o corpo era maltratar a mente.