Se um homem pudesse compreender toda a horrível condição das vidas comuns daqueles que giram em um círculo de interesses insignificantes e objetivos insignificantes, e compreendesse o que eles estão perdendo, ele entenderia que só existe uma coisa séria para ele: escapar da lei geral, ser livre. O que pode ser sério para um homem preso, condenado à morte? Apenas uma coisa: como salvar-se, como escapar — nada mais é sério.
Uma parte considerável das pessoas que encontramos na rua são pessoas vazias por dentro — isto é, na verdade já estão mortas. É uma sorte para nós que não vejamos e não saibamos disso. Se soubéssemos quantas pessoas estão realmente mortas e quantas dessas pessoas mortas governam nossas vidas, enlouqueceríamos de horror.
Consideremos um acontecimento na vida da humanidade. Por exemplo, a guerra. Há uma guerra acontecendo neste momento. O que isso significa? Significa que alguns dos que estão dormindo tentam destruir outros que também estão dormindo. Eles não fariam isso, é claro, se acordassem. Tudo o que acontece se deve a esse sono.
A primeira razão da escravidão das pessoas é nossa ignorância — e, acima de tudo, nossa ignorância de nós mesmos.
A arte antiga tem um conteúdo interior específico. Em certa época, a arte tinha o mesmo propósito que os livros têm hoje: preservar e transmitir conhecimento. Antigamente, as pessoas não escreviam livros; incorporavam seu conhecimento em obras de arte. Encontraríamos muitas ideias nas obras da arte antiga que nos foram transmitidas, se apenas soubéssemos como lê-las.