Em outras palavras, uma pessoa que é fanática em assuntos religiosos e se apega a certas ideias sobre a natureza de Deus e do universo se torna alguém que não tem fé nenhuma.
É interessante que, quando os hindus falam da criação do universo, eles não chamam isso de obra de Deus; chamam de brincadeira de Deus — Vishnu lila. Lila significa brincadeira. E eles veem toda a manifestação de todos os universos como um jogo, como um esporte, como uma espécie de dança — talvez lila tenha alguma relação com a nossa palavra ‘lilt’ (leveza, cadência).
Como é possível que um ser com joias tão sensíveis como os olhos, instrumentos musicais tão encantados como os ouvidos e tão fabulosas arabescos de nervos como o cérebro possa experimentar a si mesmo como algo menor do que um deus?
Se nos apegamos à crença em Deus, não podemos ter fé do mesmo modo, pois fé não é apego, é desapego.
Para viver espiritualmente, o homem deve ter união com Deus e estar consciente disso. Sem essa união, sua vida religiosa será um vazio de trabalho, uma mera imitação da verdadeira espiritualidade.
Mas, de qualquer modo, o ponto é que Deus é aquilo que ninguém admite ser, e todos realmente são.
Você não precisa tentar ser Deus — você é! Mas se você tenta ser Deus, isso significa que você não sabe que é.
Muitas pessoas pensam que a Bíblia é a palavra autêntica de Deus e a adoram, transformando-a em um ídolo.
Você não procura Deus lá fora, no céu; você procura dentro de si.
Jesus Cristo sabia que era Deus. Então desperte e descubra, com o tempo, quem você realmente é. Na nossa cultura, claro, vão dizer que você está louco e que está blasfemando, e vão ou te colocar na cadeia ou num hospício (que é quase a mesma coisa). Porém, se você desperta na Índia e conta aos seus amigos e parentes: “Que maravilha, acabei de descobrir que sou Deus”, eles vão rir e dizer: “Ah, parabéns — enfim você descobriu.”
Se uma flor tivesse um Deus, não seria uma flor transcendente, mas um campo.
O estilo de Deus venerado na igreja, na mesquita e na sinagoga parece completamente diferente do estilo do universo natural.
A dificuldade para a maioria de nós no mundo moderno é que a antiga ideia de Deus se tornou incrível ou implausível.
Zen... não confunde espiritualidade com pensar em Deus enquanto se descasca batatas. A espiritualidade do Zen é simplesmente descascar as batatas.
Saber que você é Deus é outra forma de dizer que você se sente completamente um com este universo.
Pois nunca compreendemos de fato o sentido revolucionário por trás disso — a verdade incrível de que a visão de Deus, que a religião chama assim, é encontrada ao abandonar qualquer crença na ideia de Deus.
Mas, de qualquer modo, o ponto é que Deus é aquilo que ninguém admite ser, e todos realmente são. Se você desperta dessa ilusão e entende que o preto implica o branco, o si implica o outro, a vida implica a morte — ou devo dizer: a morte implica a vida — então você pode conceber a si mesmo.
A ideia religiosa de Deus não cumpre plenamente o dever da infinitude metafísica.