Swami Sarvapriyananda Citacoes sobre Deus
Os grandes mestres espirituais parecem todos dizer que é apenas a vontade de Deus — “Seja feita a Tua vontade”. É a vontade de Deus que trabalha através de tudo, não a nossa.
A grande desvantagem de uma abordagem centrada em Deus — especialmente no mundo de hoje — é que ela começa com, e por muito tempo prossegue com, fé. Crença. Se você começa com questionamento e ceticismo, é muito difícil seguir a abordagem centrada em Deus.
Quando eu digo que sou Deus, quero dizer todos nós. Quando uma pessoa iluminada percebe que é uma com Deus, ela percebe que todos são um com Deus.
Todas as religiões abraâmicas são religiões centradas em Deus, religiões teístas. E, como é o único tipo de religião com que o Ocidente está acostumado, elas acham algo como o Budismo muito confuso. Como ter uma religião sem Deus? Na Índia, porém, isso não é problema. O Budismo existe há 2500 anos; o Jainismo até antes disso… No Budismo, não se fala de Deus. É abertamente agnóstico. No Jainismo, não se fala de Deus.
Quando tu te conheces verdadeiramente como és, conhecerás a realidade... Nossa realidade é a Realidade última. Deus é nossa própria realidade. Tu és Brahman. Esta é a Realidade última.
Os Upanishads contêm talvez os ensinamentos espirituais vivos mais antigos. Espiritualidade, em sua forma mais original e fresca… O ensinamento básico dos Upanishads é que existe uma realidade última — este mundo que vivenciamos, e como vivenciamos a nós mesmos, são todas manifestações dessa realidade. Nós somos essa realidade. Se ao menos nós nos conhecêssemos verdadeiramente, perceberíamos que somos essa realidade absoluta. Essa realidade absoluta, nos Upanishads, é chamada de “Brahman”. Brahman significa literalmente “o vasto”. É a palavra mais próxima que o Vedanta tem para Deus.
As religiões/mentalidades centradas em Deus tendem a ser devocionais: orientadas ao culto, provavelmente dualistas, provavelmente orientadas a templo/igreja/misquita, provavelmente ritualísticas. Em contraste, você encontrará religiões baseadas na auto-investigação tendendo a ser: mais monásticas, mais de investigação, mais intelectuais, mais meditativas do que devocionais, mais orientadas a salas de meditação do que a templos.
O que é Vedanta? Swami Vivekananda diria duas coisas: a divindade dentro de nós e a unidade da existência… Vivekananda usou o Advaita Vedanta como base para a moralidade. O que ele disse foi: como é uma única realidade, se eu ferir alguém, se eu enganar alguém, se eu mentir para alguém, eu estou me ferindo no sentido mais profundo… Ele também disse que aquele que foge do mundo para meditar e morrer numa caverna no Himalaia, procurando Deus, perdeu o caminho. Aquele que mergulha de cabeça nas vaidades do mundo — também perdeu o caminho. Então, qual é o caminho? O caminho é espiritualizar a vida cotidiana… Devemos perceber a nós mesmos como consciência pura — Turiya — e todos e tudo como nada além do mesmo Turiya, e viver a vida em paz, plenitude e alegria. Realize a divindade dentro de si e a unidade espiritual de todo o universo. Manifeste essa divindade na vida diária por meio da paz, do amor e do serviço a todos os seres. Isso é a espiritualização da vida cotidiana.
Tu és isso. Não percebemos o quão radical é essa afirmação. Ela significa que você não é outra coisa senão Deus — o que quer dizer que você não é o corpo, não é a mente, nem mesmo essa pequena pessoa. E ainda mais surpreendente: Deus não é outra coisa senão você.
Vedanta é uma literatura imensa, imensa. É uma tradição antiga, remontando aos Upanishads, há 5000 anos. E, ainda assim, você pode descrever o Advaita Vedanta em uma frase: Tat Tvam Asi (Tu És Aquilo)… “Aquele” significa aquilo que é adorado como Deus, a realidade por trás deste universo. “Tu” significa o indivíduo. Você e Aquilo são a mesma coisa… Investigamos essas duas polaridades… a análise de quem sou eu ou do que sou eu, e a análise do que é Deus. Então você chega a uma síntese: ao ver que existe uma realidade além de Deus e além do indivíduo.
