Com muita frequência, as pessoas pensam que resolver os problemas do mundo depende de conquistar a terra, e não de tocar a terra, tocar o chão.
Quando você experimenta sua sabedoria e o poder das coisas como elas são, juntas, como uma só, então você tem acesso a uma visão e a um poder imensos no mundo. Você descobre que está inerentemente conectado ao seu próprio ser. Isso é descobrir magia.
Grande parte do caos no mundo acontece porque as pessoas não se valorizam.
Quando nos escondemos do mundo desse modo, sentimos segurança. Podemos pensar que acalmamos o nosso medo, mas na verdade estamos nos entorpecendo com medo. Cercamo-nos com os nossos pensamentos familiares, para que nada de afiado ou doloroso nos toque.
Quando limpamos depois de nós, não temos nada de que culpar. Quando começamos a viver nossas vidas desse modo — limpando depois de nós — o que sobra é mais visão e mais abertura, o que leva a limpar o resto do mundo.
Mas repetidas vezes, devemos refletir de volta para a escuridão do casulo. Para nos inspirarmos a avançar, precisamos olhar para trás e ver o contraste com o lugar de onde viemos. Veja: não podemos rejeitar o mundo do casulo — do qual podemos criar um novo casulo. Quando vemos o sofrimento que ocorreu no casulo antigo, isso nos inspira a seguir adiante na nossa jornada de ser “guerreiro”. É uma jornada que se desenrola dentro de nós.
Olhe. Este é o seu mundo! Você não pode deixar de olhar. Não existe outro mundo. Este é o seu mundo; é o seu banquete. Você herdou isso; você herdou esses olhos; você herdou este mundo de cor. Veja a grandeza de todo o conjunto. Olhe! Não hesite — olhe! Abra os olhos. Não pisque e olhe, olhe — olhe mais adiante.
Embora a vida do guerreiro seja dedicada a ajudar os outros, ele percebe que nunca conseguirá compartilhar completamente sua experiência com os demais… Ainda assim, ele se apaixona cada vez mais pelo mundo. Essa mistura de amor e solidão é o que permite ao guerreiro alcançar constantemente os outros para ajudá-los. Ao renunciar ao seu mundo particular, o guerreiro descobre um universo maior e um coração cada vez mais quebrado. Não é algo para sentir mal; é motivo para regozijo.
O ponto da meditação não é apenas ser uma pessoa honesta ou boa no sentido convencional, tentando apenas manter a nossa segurança. Devemos começar a nos tornar compassivos e sábios, no sentido fundamental: abertos e em relação com o mundo como ele é.
Podemos dizer que a compaixão é a atitude última da riqueza: uma atitude contra a pobreza, uma guerra contra a falta. Ela contém toda sorte de qualidades heroicas, vivas, positivas, visionárias e expansivas. E implica pensar em escala maior, num modo mais livre e mais amplo de se relacionar consigo mesmo e com o mundo.
A prática da meditação é vista como um bom — e de fato excelente — meio de superar a guerra no mundo; a nossa própria guerra, assim como uma guerra ainda maior.
Nós precisamos dar o primeiro passo por nós mesmos, em vez de esperar que venha do mundo fenomênico ou de outras pessoas. Se estamos meditando em casa e por acaso moramos no meio da High Street, não podemos parar o trânsito só porque queremos paz e silêncio. Mas podemos parar a nós mesmos: podemos aceitar o barulho. O barulho também contém silêncio. Precisamos nos colocar dentro dele e não esperar nada de fora — como Buda fez. E devemos aceitar qualquer situação que surja.
O artista tem um poder tremendo para mudar o mundo.
Este mundo inteiro é o mundo da mente, produto da mente.
Se abrirmos os olhos, se abrirmos a mente, se abrirmos o coração, descobriremos que este mundo é um lugar mágico. É mágico não porque nos engane ou se transforme inesperadamente em outra coisa, mas porque pode ser tão vívido e brilhante.
Abrir-se totalmente a si mesmo é abrir-se ao mundo.
Por meio da meditação, sinto que plantamos dinamite para transcender o mundo da confusão. Seria bom que você pudesse praticar meditação tanto quanto possível — tanto quanto fisicamente e psicologicamente for possível. Você poderia ficar mais claro e são, e também poderia influenciar a neurose nacional desse modo.
A experiência de um coração triste e terno é o que dá à destemor o nascimento. Convencionalmente, ser destemido significa que você não tem medo ou que, se alguém te atingir, você revidará. Mas não estamos falando desse nível de destemor de lutador de rua. A verdadeira destemor é fruto da ternura. Ela nasce de deixar o mundo acariciar teu coração — teu coração bruto. Você está disposto a abrir-se, sem resistência nem timidez, e encarar o mundo.