Meditação não é sentar e ficar se mexendo, nem devaneio, nem preocupação, nem fantasia. Significa observar, com calma, a própria mente. A observação serena torna a própria mente mais serena. A serenidade da mente cria poder para ir cada vez mais fundo nos leitos dos samskaras — em todas as memórias e impressões latentes que, diariamente, provocam nossos hábitos e personalidades. Porém, ao ir aos samskaras com calma e muita quietude, observando-os, eles são queimados; eles vêm à superfície e se dissipam. Esse é o processo de purificação. É uma prática muito poderosa e essencial. Meditação é o método exato para tomar consciência de quem você é. É o treinamento fundamental para conhecer o seu mundo interior.
Você pode viver no mundo e ainda assim ser espiritual. Ser espiritual é estar consciente da Realidade o tempo todo.
Aprenda a amar todas as coisas do mundo, como meios — mas não se apegue a elas. Este é o segredo: a filosofia do desapego.
Meditação é uma jornada sem movimento. No mundo externo, você precisa se mover para avançar; na meditação, você não se move, e ainda assim alcança.
A aplicação de sushumna é o fator mais importante na prática espiritual. No instante em que sushumna é despertada, a mente anseia por entrar no mundo interior. Quando o fluxo de ida e pingala é direcionado para sushumna, e assim as distrações são removidas, a meditação flui por si mesma.
Na verdade, não é necessário renunciar aos objetos do mundo, porque um ser humano não possui ou detém de fato nada. Portanto, não é necessário renunciar a nada — mas o senso de posse deve ser renunciado.
Quando os sentidos estão bem controlados e afastados do contato com os objetos do mundo, então as percepções sensoriais já não criam imagens na mente. A mente é treinada na unidirecionalidade. Quando a mente já não recorda padrões de pensamento do inconsciente, um estado equilibrado da mente conduz a um estado mais elevado de consciência. Um estado perfeito de serenidade estabelecido em sattva é o mais alto estado de iluminação. A prática da meditação e do desapego são as duas notas-chave. É essencial uma convicção muito firme para estabelecer uma filosofia definida de vida.
Se as pessoas respiram pelo lado direito, dizem que tendem a se tornar mais ativas e agressivas, mais alertas e mais voltadas para o mundo externo. Já respirar pelo lado esquerdo produz um estado psicológico mais silencioso e mais passivo, mais orientado para o mundo interior.
Você deve cumprir seu dever no mundo com amor, e somente isso contribuirá de modo significativo para o seu progresso no caminho da iluminação.
É impossível compreender o que existe por meio de raciocínio ou debates intelectuais. A verdade absoluta não pode ser comprovada cientificamente, porque não pode ser observada, verificada ou demonstrada por percepções sensoriais. (…) Por isso, os cientistas não conseguem chegar a qualquer conclusão objetiva sobre a imortalidade da alma e a vida após a morte — e, de qualquer modo, nada poderia convencê-los. (…) O mundo objetivo é apenas metade do universo. O que percebemos por meio dos sentidos não é o mundo em sua totalidade. A outra metade — que inclui a mente, os pensamentos e as emoções — não pode ser explicada por percepções sensoriais de objetos externos. (…) A alma não foi criada. Ela é, essencialmente, consciência e é perfeita. Após a dissolução do corpo grosseiro, tudo permanece latente. A alma sobrevive.
Cultura e civilização são dois aspectos inseparáveis do estilo de vida de uma comunidade, país ou nação. Um homem pode ser considerado culto se se veste bem e então se apresenta aos outros — mas isso não necessariamente o torna civilizado. Civilização se refere ao modo como uma nação pensa e sente; ao seu desenvolvimento de ideais como não matar, compaixão, sinceridade e fidelidade. Cultura é um modo externo de viver. Cultura é como uma flor; civilização é como o perfume da flor. Um homem pode ser pobre e ainda assim ser civilizado. Um homem culto, sem civilização, que possa ser bem-sucedido no mundo externo não ajuda a sociedade, porque lhe faltam qualidades e virtudes internas que enriquecem o crescimento do indivíduo e da nação. Cultura é externa; civilização é interna. No mundo moderno, a integração desses dois é necessária. A civilização indiana é muito rica, mas sua cultura se tornou um pseudo-inglesismo que ainda cria problemas na Índia hoje.
É preciso colher os frutos do próprio karma. A lei do karma é inevitável e é aceita por todas as grandes filosofias do mundo: ‘Como você semeia, assim colherá.’
Sankalpa (determinação) é muito importante. Tu não podes mudar tuas circunstâncias, o mundo ou a sociedade para se ajustarem a ti. Mas se tens força e determinação, podes atravessar a procissão da vida com grande sucesso.
Que bem faz ter todas as riquezas do mundo e todos os prazeres do mundo? Tudo vai desaparecer no clarão que chamamos de vida humana. Focar nos prazeres do mundo mantém a mente tão distraída que ela não consegue buscar o Si interior.
Para alcançar o propósito da vida, é necessário cumprir os próprios deveres, quer se viva no mundo ou fora dele. O caminho da renúncia e o caminho da ação, embora sejam duas vias diferentes, são igualmente úteis para alcançar a autoemancipação. Um é o caminho do sacrifício; o outro, o caminho da conquista.
Foi o Senhor Jesus Cristo quem disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa vai salvá-la. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma?”