De onde surge esse “eu”? Procure-o dentro; então ele desaparece. Essa é a busca da sabedoria. Quando a mente investiga incessantemente sua própria natureza, fica evidente que não existe mente. Esse é o caminho direto para todos. A mente são apenas pensamentos. Entre todos os pensamentos, o pensamento “eu” é a raiz.
A paz só pode reinar onde não há perturbação, e perturbação se deve aos pensamentos que surgem na mente.
A meditação ajuda a concentração da mente. Então a mente fica livre de pensamentos e está na forma meditada.
O silêncio é fala sem fim. A fala vocal obstrui a outra fala do silêncio. No silêncio, estamos em contato íntimo com o ambiente. A linguagem é apenas um meio para comunicar os pensamentos a outro. O silêncio está sempre falando.
Quando há pensamentos, é distração; quando não há pensamentos, é meditação.
Diz-se que o pensamento “eu” é a soma total de todos os pensamentos. A fonte do pensamento “eu” precisa ser investigada.
A mente é apenas um feixe de pensamentos. Os pensamentos têm sua raiz no pensamento ‘eu’. Quem investiga o Verdadeiro ‘Eu’ desfruta da quietude da bem-aventurança.
O fato é que a mente é apenas um feixe de pensamentos. A mente é fortalecida por novos pensamentos que surgem. Portanto, é tolice tentar matar a mente por meio da própria mente. O único jeito é encontrar sua fonte e agarrar-se a ela. Então a mente se apagará por si mesma.
Se você seguir o caminho dos seus pensamentos, será levado por eles e se encontrará num labirinto sem fim.
Realização não é algo novo a ser adquirido. Ela já está aí, mas está obstruída por uma tela de pensamentos. Todas as nossas tentativas se dirigem a levantar essa tela, e então a realização se revela.
Veja o que ajuda você a afastar todos os outros pensamentos e adote esse método para sua meditação.
Se alguém deseja permanecer no estado sem pensamentos, uma luta é inevitável. É preciso abrir caminho lutando até recuperar seu estado primordial original. Se a pessoa vence a luta e alcança o objetivo, o inimigo—isto é, os pensamentos—se aquieta no Si e desaparece por completo.
Veja quem é o duvidador, quem é o pensador. É o ego. Segure-o; os outros pensamentos morrerão — e o ego ficará puro. Veja a fonte de onde o ego surge e permaneça nela. Isso é consciência pura.
Os pensamentos vêm e vão. As emoções vêm e vão. Descubra o que permanece.
Concentração não é pensar em uma coisa. Pelo contrário: é excluir todos os pensamentos, pois todos os pensamentos obstruem o senso do seu verdadeiro ser. Todos os esforços devem ser dirigidos apenas a remover o véu da ignorância. Concentrar a mente apenas no Si levará à felicidade ou bem-aventurança. Puxar os pensamentos para dentro, contê-los e impedir que se desviem para fora chama-se desapego (vairagya). Fixá-los no Si é prática espiritual (sadhana). Concentrar-se no coração é o mesmo que concentrar-se no Si. Coração é outro nome para Si.
Pela investigação: “Quem sou eu?”. O pensamento “quem sou eu?” destruirá todos os outros pensamentos e, como o bastão usado para atiçar a pira em chamas, no fim ele mesmo será destruído. Então surgirá a realização do Ser.
Meditar é permanecer em um único pensamento. Esse pensamento único afasta os outros; a distração da mente é sinal de sua fraqueza; pela meditação constante ela ganha força.
Como se livrar do medo? Ramana: O que é medo? É apenas um pensamento. Se houver algo além do Si, então há motivo para temer. Quem vê as coisas separadas do Si? Primeiro o ego surge e vê os objetos como externos. Se o ego não se ergue, somente o Si existe e não há nada externo. Qualquer coisa externa a si implica a existência do vidente dentro. Ao buscá-lo, eliminam-se a dúvida e o medo. Não apenas o medo: todos os outros pensamentos centrados no ego desaparecem junto com ele.
De todos os pensamentos que surgem na mente, o pensamento ‘eu’ é o primeiro pensamento.
Os bons pensamentos afastam os maus pensamentos. Eles mesmos precisam desaparecer antes que o estado de realização se estabeleça.
Além dos pensamentos, não existe uma entidade independente chamada mundo. No sono profundo não há pensamentos, e não há mundo. Nos estados de vigília e de sonho, há pensamentos, e também há um mundo. Assim como a aranha emite o fio (da teia) a partir de si e depois o recolhe para dentro de si, da mesma forma a mente projeta o mundo a partir de si e novamente o resolve em si.
Você não precisa aspirar nem obter nenhum novo estado. Livre-se dos seus pensamentos atuais — é só isso.
Refugie-se no silêncio. Você pode estar aqui, ali ou em qualquer lugar. Firme no silêncio, estabelecido no ‘eu’ interior, você pode ser como é. O mundo nunca o perturbará se você estiver bem fundamentado na tranquilidade interior. Reúna seus pensamentos dentro de si. Encontre o centro do pensamento e descubra o seu equilíbrio do Si. Na tempestade e na agitação, permaneça calmo e silencioso. Observe os acontecimentos ao redor como uma testemunha. O mundo é um drama. Seja testemunha, voltada para dentro e introspectiva.
O grau de liberdade em relação aos pensamentos indesejados e o grau de concentração em um único pensamento são as medidas para avaliar o progresso espiritual.
Se um homem considera que nasceu, não pode evitar o medo da morte. Que ele descubra se ele nasceu ou se o Si tem algum nascimento. Ele perceberá que o Si sempre existe; o corpo que nasce se desfaz em pensamento, e o surgimento do pensamento é a raiz de toda malícia. Descubra de onde os pensamentos emergem. Então você poderá permanecer no Si interior, sempre presente, e ficar livre da ideia de nascimento ou do medo da morte.