Não apenas a psique existe; ela é, em si, a própria existência. É um preconceito quase absurdo supor que a existência só possa ser física... Podemos dizer, ao contrário, que a existência física é apenas uma inferência, pois conhecemos a matéria apenas na medida em que percebemos imagens psíquicas mediadas pelos sentidos.
Quando se fala em despertar, isso significa des-hipnotização; voltar aos sentidos. Mas, é claro, para fazer isso, você precisa sair da sua mente.
A inspiração é um rio tênue de claridade que salta de um vasto e eterno conhecimento; ela excede a razão com mais perfeição do que a razão excede o conhecimento dos sentidos.
Lembre-se: você não é tão miserável quanto fez de si mesmo. Você também é Deus. Cultivar essa consciência constante dentro de você ajudará a evitar falsas ligações, a não se identificar com o seu corpo, mente e sentidos. Então você deve dizer a si mesmo: “Corpo, mente e sentidos são meus, mas não são eu, pois eu sou aquela chama eterna que não está sujeita a mudança, morte e decadência.” Essa consciência deve estar sempre com você.
Sair da mente uma vez por dia é tremendamente importante, porque ao sair da mente você volta aos sentidos. E se você fica na mente o tempo todo, você fica excessivamente racional — em outras palavras, você é como uma ponte muito rígida, que por não ter flexibilidade, não tem ‘concessão’; sem loucura nela, a primeira tempestade de furacão a derrubará.
Suponha que ontem comemos uma sobremesa deliciosa, como payasam (uma maravilhosa sobremesa indiana feita de leite, arroz e açúcar). Como era tão saborosa e boa, ficamos muito felizes. Mas se tivessem nos servido um prato sem graça, sem açúcar nem especiarias, não acharíamos tão delicioso e não ficaríamos felizes. O jnani, porém, é feliz qualquer que seja o sabor. O jnani não se preocupa com o gosto da comida. O jnani come algo e não fica nem feliz nem infeliz. Essa é a diferença. No nosso caso, vivenciamos tudo de acordo com nossos gostos e aversões, com nosso senso de agente; estamos apegados aos sentidos. O jnani tem as mesmas papilas gustativas que nós, mas sem apego ao sabor.
A mente deve tornar-se serva do intelecto, não escrava dos sentidos. Ela deve discernir e desapegar-se do corpo. Como a fruta de tamarindo madura, que fica solta dentro da casca, ela deve não estar presa a essa casca — essa “moldura” chamada corpo.
O Senhor tem nomes diferentes conforme Suas diferentes atividades. Por exemplo, Seu nome é Madhusudana porque Ele matou o demônio do nome Madhu; Seu nome é Govinda porque Ele dá prazer às vacas e aos sentidos.
Sair da sua mente ao menos uma vez por dia é tremendamente importante. Ao sair da sua mente, você volta aos seus sentidos.
Mesmo que as gopis tivessem obedecido, ainda assim tinham muitas dúvidas. Como o rio se abriu se o que elas diziam não era verdade? De fato, a resposta é que tudo era uma questão de “ação” (doership). Se a sua mente diz: “Eu fiz”, você deve receber o resultado da sua ação. Mas lembre-se: é crucial entender que “ação” vem de dentro, não por dizê-la com a boca. Se alguém tem o estado de conhecimento de que todo trabalho é feito pelo corpo e pelos sentidos, então fica livre das consequências.
As coisas podem dar prazer à mente e aos sentidos, mas apenas o amor pode dar prazer ao coração. E, no fim, é isso que buscamos.
Quando os sentidos lhe perturbarem, lembre-se dos sábios Narayana e Nara. Eles são os mestres supremos sobre os sentidos, diante dos quais Indra teve de baixar a cabeça em vergonha.
Aquele que não se afastou da conduta má, cujos sentidos não são controlados, que não é sereno, cuja mente não está em repouso, jamais alcançará este Atman nem mesmo pelo conhecimento.
Fique quieto na sua mente, quieto nos seus sentidos e também quieto no seu corpo. Então, quando tudo isso estiver quieto, não faça nada. Nesse estado, a verdade se revelará a você.
Sofremos de uma alucinação: uma sensação falsa e distorcida da nossa própria existência como organismos vivos. A maioria de nós sente que “eu mesmo” é um centro separado de sentir e agir, vivendo dentro e limitado pelo corpo físico — um centro que “enfrenta” um mundo “externo” de pessoas e coisas, fazendo contato através dos sentidos com um universo tanto alienígena quanto estranho.
Quando a língua se ergue, os sentidos se aquietam.
Todos nós precisamos sair da nossa mente ao menos uma vez por dia. Quando saímos da mente, rapidamente voltamos aos sentidos.
Assim como a respiração acalma a mente, nossas energias ficam livres para se soltar dos sentidos e voltar-se para dentro.
O sábio deve conter seus sentidos como a cegonha e realizar seu propósito com o devido conhecimento do seu lugar, do tempo e da capacidade.
Medite sobre o Conhecimento e a Bem-aventurança Eterna, e também você terá bem-aventurança. A Bem-aventurança, de fato, é eterna; apenas está coberta e obscurecida pela ignorância. Quanto menor for o seu apego aos sentidos, maior será o seu amor por Deus.
Você pode conquistar o mundo inteiro, o universo — mas, se não consegue conquistar sua mente e seus sentidos, está derrotado na vida.
A autoconsciência é a sua consciência do mundo, que você vivencia por meio dos cinco sentidos (som, tato, visão, paladar e olfato). Preste atenção às suas impressões sensoriais e esteja consciente dessas cinco formas pelas quais o mundo chega até você.
Definir é limitar: estabelecer fronteiras, comparar e contrastar. Por isso, o universo — o todo — parece desafiar a definição... Assim como ninguém, em sã consciência, procuraria as notícias da manhã num dicionário, ninguém deve usar a fala e o pensamento para descobrir o que não pode ser dito nem pensado.
O Tentador domina o homem preguiçoso e indeciso que se detém no lado atraente das coisas, sem governo sobre os sentidos e sem moderação na comida — como o vento vence uma árvore podre. Mas o Tentador não consegue dominar o homem que habita o lado desagradável das coisas, autocontrolado nos sentidos, moderado na alimentação, resoluto e cheio de fé — como o vento não move um rochedo.
O estado meditativo é o mais alto estado de existência. Enquanto houver desejo, nenhuma felicidade real pode surgir. É apenas o estudo contemplativo, como de uma testemunha, dos objetos que nos traz verdadeiro deleite e felicidade. O animal encontra sua felicidade nos sentidos; o homem, no intelecto; e o deus, na contemplação espiritual. É somente para a alma que alcançou esse estado contemplativo que o mundo realmente se torna belo. Para aquele que não deseja nada e não se mistura com isso, as múltiplas mudanças da natureza se tornam um único panorama de beleza e sublimidade.