Vã é a palavra do filósofo que não cura nenhum sofrimento do homem. Pois assim como não há proveito na medicina se ela não expulsa as doenças do corpo, também não há proveito na filosofia se ela não expulsa o sofrimento da mente.
Somente o homem justo desfruta de paz interior.
Quem tem paz interior não perturba nem a si mesmo nem a outro.
Os homens, acreditando em mitos, sempre temerão algo terrível — punição eterna — como se fosse certa ou provável... Os homens baseiam todos esses medos não em opiniões maduras, mas em fantasias irracionais: perturbam-se mais com o medo do desconhecido do que em encarar os fatos. A paz de espírito está em ser libertado de todos esses medos.
Quando dizemos que o prazer é o fim, não queremos dizer o prazer do dissoluto, nem o que depende do gozo físico — como pensam alguns que não entendem nossos ensinamentos, discordam deles ou lhes dão uma interpretação maligna — mas, por prazer, queremos dizer o estado em que o corpo está livre da dor e a mente livre da ansiedade.
A mente muito elevada e insolente com a prosperidade, e abatida com a adversidade, geralmente se torna abjeta e vil.
O mais belo é ver aqueles que nos são queridos, quando a nossa afinidade original nos faz de um só pensamento.
A grandeza do prazer atinge seu limite ao eliminar toda dor. Quando esse prazer está presente, enquanto for ininterrupto, não há dor nem no corpo nem na mente, nem em ambos juntos.
A carne acredita que o prazer é ilimitado e que exige tempo sem limites; mas a mente, entendendo o fim e o limite da carne e livrando-se dos medos do futuro, assegura uma vida completa e já não precisa de tempo ilimitado.